O Conto da Aia, Margaret Atwood | Um conto para ficar na história…

Não quero contar esta história. Muitas vezes é assim que a personagem principal interrompe a sua narrativa. Fatos desagradáveis tanto para quem conta como para quem lê. E assim, aos poucos, vamos conhecendo um mundo permeado de injustiças, principalmente com as mulheres, e de muitas desgraças. Os que não seguem as regras acabam pendurados em ganchos no Muro, o delimitador deste estranho lugar, e assim são deixados ali por alguns dias, apodrecendo e visíveis a todos. Existem outras penalidades mais brandas, como ir limpar lixo tóxico nas Colônias, ou apenas, no caso das mulheres, acabar na Casa de Jezebel, prostituindo-se aos Comandantes, Anjos e Guardiões.

Neste mundo inventado, todos são vigiados pelos Olhos (aqui me lembro de 1984, de George Orwell, que aliás, também fiz resenha aqui), livros já foram queimados e apenas alguns poucos ainda têm acesso a eles, como o Comandante, o qual possui uma pequena biblioteca (aqui me lembrei de outra distopia, Farenheit 451, de Ray Bradbury), as mulheres devem usar vestidos que determinam sua posição social, sendo que algumas, as aias, devem usar hábitos vermelhos e toucas brancas, escondendo assim seus corpos e rostos, mesmo em dias de verão ( aqui me lembrei do Afeganistão, ops, esqueci que estou mencionando apenas distopias), dificultando também olhar nos olhos umas das outras e impedindo que travem conversas entre si. As aias também não podem andar desacompanhadas durante os poucos e vigiados trajetos para realizar as compra no Toda a Carne ou no Leite e Mel. Toda essa proteção com as aias se justifica, afinal, são elas que ainda podem ter filhos, agindo como instrumentos de fecundação em Cerimônias onde participam tanto o Comandante como sua Esposa de vestido azul.

Eu adoro distopias, e gostei bastante deste, até pelo fato de poder viajar junto muitas vezes nas lembranças e pensamentos de uma mulher, a narradora que não fala seu verdadeiro nome mas se auto designa Ofred. Assim como outras aias, Ofglen, sua parceira de compras, e Ofwarren, conhecida por suas más atitudes, entendemos que esses nomes nada mais são do que de posse de alguém, Of mais o nome de seu Comandante. Algumas mulheres tem mais autonomia, como as Esposas desses Comandantes, ou as Tias, responsáveis por treinar as futuras aias.

Acho incrível a imaginação destes autores e autoras, é claro, que conseguem criar todo este mundo sórdido das distopias, pesando para o lado de algumas das ruindades que podemos nos deixar levar, ponderando assim que nunca devemos esquecer do que temos e de quem somos, diferente também da utopia, onde teoricamente teríamos o melhor lugar para se viver. Acredito que um meio termo sempre acaba sendo o melhor caminho, você não acha?

Publicado por o.resenheiro

Engenheiro de formação que descobriu na leitura uma paixão. Muito mais do que prazer, ler desperta a busca pelo auto conhecimento, proporciona se colocar no lugar do outro, viajar para lugares nunca antes imaginados.

Um comentário em “O Conto da Aia, Margaret Atwood | Um conto para ficar na história…

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