É assim que Lívia, sua antiga namorada, o chama quando se reencontram muitos anos depois. Ele, o protagonista, já foi mocinho, agora já beira os cinquenta, e repensa sua vida desde o começo. Passou por muitos relacionamentos, viveu intensamente, estudou em Campinas e morou em república. Trabalhou em editora, escreveu livros e tinha uma coluna em um grande jornal. Viajou pra fora, deu aula na Califórnia após conseguir uma bolsa indicada pela mãe de Lívia, Karen Borg, que gostava dele, queria que o namoro da filha tivesse seguido com esse mocinho do começo ao fim…
Idas e vindas do amor, lembranças de sua primeira namorada, detalhes do tempo de casado, que durou uns dez anos, mas não resultou em filhos, ele queria, ela não queria. Depois teve um tempo de namoro com Bibi, mulher mais nova, que também terminou sem filhos, mas desta vez ela queria, mas foi alarme falso, ainda bem, porque ele não queria… Contradições, egoísmo por parte dele, ou seriam elas que não o entendiam? Seus amigos de longa data, que acabaram se casando, Evaldo e Débora, tentaram aconselhá-lo, mas a vida de um nem sempre é modelo pra vida do outro.
Muitas passagens relembram a história do próprio autor, Marcelo Rubens Paiva, pra quem já leu seu outro livro, Feliz Ano Velho. Mas desta vez, diferentemente de outras de suas obras de memórias, é mais ficcional, misturando o que poderia ter sido real e o que realmente aconteceu. Afinal, literatura é assim, nunca saberemos o que de fato aconteceu, ou mesmo se aconteceu, aquilo que nos é contado. O que importa é que a história flui, segue rápida e gostosa de ler. Achei bom pra dar aquela relaxada, o tipo de leitura semelhante a comfort food. Comemos com facilidade, e terminamos satisfeitos!

