Como sempre, Isabel Allende nos conforta. Seus livros fluem de uma maneira única, com eventos de vida sendo apresentados incessantemente durante a narrativa, sua marca registrada pelo que me parece.
O personagens principal, Gregory Reeves, começa com sua família nada comum, perambulando sem destino com o caminhão entulhado de tralhas, entre elas a placa do Plano Infinito, que representa mais do que um simples artefato de metal, mas uma filosofia de vida com mesclas místicas, onde o pai de Gregory seria um dos designados na terra de disseminar os conhecimentos dessa doutrina.
Entre a família vive Olga, uma amiga da mãe que também imigrou da Rússia, que completa este núcleo e enfatisa os valores de misticismo, beirando ao charlatanismo. Outra marca da autora, que sempre gosta de incluir esse olhar para um universo desconhecido dos seres mundanos.
E para engrossar este grupo de personagens, outra família se entrelaça com os Reeves. Pedro e Inmaculada Morales são imigrantes, mexicanos e com muitos filhos, sendo Carmen a filha mais nova, que acaba tendo uma relevância na vida de Gregory, uma verdadeira irmã, já que com sua verdadeira irmã de sangue, Judy, não conseguiu ter muita afinidade. Nem mesmo com sua mãe, muitas vezes mais ausente do que ele gostaria.
Enfim, um romance que traça toda uma história de um personagem fictício, passando por diversos momentos e lugares, amores e desilusões, filhos que não se sabia como criá-los, tudo isso entremeado pela Guerra do Vietnam, que participou e conseguiu sair ileso, pelo menos fisicamente. Tudo muito verossímil, contado no módulo operandis de Isabel Allende. Pra quem gosta da autora, recomendo, mais uma leitura fluida e prazerosa do seu vasto catálogo!

