Kallocaína, Karin Boye | Uma distopia para ser apreciada…

A substância ao ser injetada na veia revela os pensamentos e sentimentos tal qual um soro da verdade. O protagonista Leo Kall, seu inventor, gostaria que ela levasse seu nome: kallocaína. E assim foi. Mas para ter certeza de que funciona, uma bateria de testes se torna necessária, feita com lotes de humanos do Serviço Voluntário de Cobaias.

Pra quem gosta de distopias, não vai se arrepender. Eacrito em 1940 por uma sueca, dizem que foi literatura de George Orwell, e de fato, várias similaridades podem ser observadas nesta história e em 1984. A começar pelo ambiente totalmente vigiado, o Estado como objetivo, a desumanização do ser humano. Tudo é para a comunidade, nada deve ser privado.

Kall é um químico, inventa essa substância, esse líquido verde, que vai tornar possível socializar aquilo que temos de mais privado, nossos pensamentos e sentimentos. A verdadeira glória! Pelo menos é o que ele tenta demonstrar para todos, mas seria isso mesmo? Para confundi-lo, aparece a figura de Edo Rissen, que será seu chefe durante os experimentos e que traz um desconforto na maneira de olhar, questionar e levantar dúvidas a respeito.

A leitura requer um pouco de atenção, e a história gira em torno desse tema, desde o descobrimento, passando pelos experimentos e comprovação de sua efetividade perante as autoridades, até a aplicação da kallokaina como meio de prova em uma acusação judicial. Todos somos suspeitos, afinal, quem não tem algo a esconder, principalmente depois dos 40, como afirma Rissen.

É sim uma leitura sufocante, ideias distopicas represoras com temas que nos fazem repensar o alcance de um totalitarismo exacerbado. Enquanto lia ficava pensando em quanto essa autora sueca sofreu ao viver tanto na Alemanha como na U.R.S.S durante o período da Segunda Guerra. Só mesmo isso explica sua obra…

Publicado por o.resenheiro

Engenheiro de formação que descobriu na leitura uma paixão. Muito mais do que prazer, ler desperta a busca pelo auto conhecimento, proporciona se colocar no lugar do outro, viajar para lugares nunca antes imaginados.

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