Quando os pássaros voltarem, Fernando Aramburu | Uma decisão a ser tomada…

Como não dar nota máxima a este livro? Toni, o narrador, desde o início nos conta tudo, sem deixar nada de sua intimidade de fora. Suas relações com o irmão, de quem odeia, com sua ex-mulher, de quem não consegue deixar de se lembrar, com os seus pais, com seu melhor amigo, a quem chama de Patamanca, são esmiuçadas, reveladas capítulo a capítulo, sem censura.

Toni deixa um relato de sua vida em doses diárias, escritas como se fosse um diário de 365 dias que antecedem a possível data final de sua existência neste lugar onde acredita já ter vivido tudo e o suficiente. Aos poucos vai se livrando de seus pertences pelas ruas da cidade, desfazendo-se de seus livros e de seus pensamentos, que nos conta com uma linguagem elaborada em cada frase, com um humor ácido e inteligente. Difícil não rir em alguns momentos!

É impressionante como o autor consegue, neste formato de escrita, transformar os acontecimentos pontuais de sua vida em uma narrativa contínua, onde nos divertimos com cada um de seus personagens. Para mim, as conversas de Toni com Patamanca e Águeda, sua namorada em tempos jovens a qual reaparece em sua vida, tanto no bar do Alfonso como em outras ocasiões, foram ganhando força ao longo do livro, terminando com este trio de amigos entrelaçados em suas histórias de vida.

Uma leitura agradável, quebrada em 12 capítulos, cada um com tantos dias quanto existem naquele mês em questão. Tudo começa em Agosto, e assim vamos caminhando até 31 de Julho do próximo ano, com a volta dos andorinhões, sem saber se a decisão de Toni será ou não executada! Só vai saber quem se aventurar nessa ficção que mais parece a realidade destes personagens tão bem caracterizados. Daria, mais uma vez, um belo filme ou série, como seu outro livro Pátria já virou anteriormente!

Publicado por o.resenheiro

Engenheiro de formação que descobriu na leitura uma paixão. Muito mais do que prazer, ler desperta a busca pelo auto conhecimento, proporciona se colocar no lugar do outro, viajar para lugares nunca antes imaginados.

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