Este é o segundo livro que leio de Kazuo Ishiguro e, muito provavelmente, não será o último. A facilidade e destreza com que ele descreve os afazeres do mordomo Stevens, ou mais elegantemente, Mr. Stevens, na grande mansão de Lord Darlington, é surpreendente!
Não se engane ao pensar que as recordações deste humilde mordomo sobre as décadas de serviços prestados ao seu patrão podem ser tediosas e cansativas. A história, contada em alguns dias por ele próprio enquanto viaja para o oeste do país, se passa de forma leve e bem humorada. O protagonista explica, entre vários topicos que vão sendo lembrados, o que é dignidade, uma qualidade que vai definir ou mesmo separar entre o grande e o medíocre mordomo.
Nesta viagem de folga sugerida pelo novo patrão, um americano bem diferente do antigo dono de Darlington Hall, Stevens perpassa seu passado, relembra de seu digníssimo finado pai, também mordomo de profissão, suas conversas formais com a governanta Miss Kenton, a qual não trabalha mais na mansão e a qual planeja reencontrar nesta pequena viagem.
Enfim, uma história contada por um mordomo extremamente formal, criterioso com as palavras e cuidadoso em não demonstrar seus reais sentimentos. Uma pessoa que viveu e pretende viver servindo em detrimento de sua própria vida!

