Deixei a cereja do bolo por último! Depois de ter lido os outros catorze livros do bom Doutor, a série dos robôs, a trilogia da fundação, incluindo seu declínio e ascensão, e as histórias do império galático, chegou a vez de me aventurar pelas histórias de robôs, reunidas neste livro em nove graciosos capítulos, contando a evolução destas máquinas, desde aquele que ainda não falava até o indistinguível humanoide com cérebro positrônico!
O motivo de ter deixado este livro do Asimov por último foi que não sou muito afeito a livros de contos. Prefiro histórias mais longas. Mas qual não foi minha surpresa ao perceber que os contos não são totalmente desconexos! Existe um fio condutor, foram robôs dos quais a Dra. Susan Calvin se lembra e vai narrando tudo aquilo que aconteceu em seus cinquenta anos trabalhando para a empresa U. S. Robots.
Assim, temos a oportunidade de, mais uma vez, vivenciar a genialidade do autor em seu ainda início de carreira. Afinal, o primeiro conto do livro, Robbie, foi criado em 1939! Aliás, para os fãs de carteirinha e para os que ainda não conhecem a ordem de publicação de seus livros, quais começaram como fascículos em revistas de ficção científica, qual foi seu primeiro romance publicado, etc, vai se deliciar com o texto escrito por ele mesmo sobre sua trajetória ao final do livro.
Essencial para conhecer as três leis da robótica, citadas pela primeira vez nestes contos, as quais são exploradas a fundo, criando situações inusitadas, como no capítulo Andando em Círculos. Sempre fico impressionado com a criatividade e capacidade de prever situações futuras nos livros de Asimov! É como se ele já soubesse o que estamos vendo hoje com a Inteligência Artificial! Imprescindível leitura para quem gosta de ficção científica!
Boa leitura!

Em resumo:
- Primeira Lei da Robótica: a segurança do ser humano
- Segunda Lei da Robótica: a obediência às ordens dos seres humanos
- Terceira Lei da Robótica: a preservação da própria vida
Texto extraído com as observações de um dos robôs sobre nós, frágeis seres humanos:
“Olhem para vocês – disse ele por fim. – Não digo isso com desdém, mas olhem para vocês! A matéria de que são feitos é macia e flácida, sem resistência nem força, e depende de uma oxidação ineficiente de matéria orgânica para obter energia… como aquilo. – Ele apontou o dedo para o que restava do sanduíche de Donovan com ar de desaprovação. – De tempos em tempos, vocês entram em coma e a menor variação de temperatura, pressão do ar, umidade ou intensidade radiativa prejudica a sua eficiência. Vocês são provisórios. Eu, por outro lado, sou um produto acabado. Absorvo energia elétrica de forma direta e a utilizo com uma eficiência de quase 100%. Sou composto de um metal resistente, meu estado de consciência é ininterrupto e posso suportar as condições extremas do ambiente com facilidade. Esses são os fatos que, com a proposição óbvia de que nenhum ser pode criar outro ser superior a si mesmo, põe por terra a sua tola hipótese.”

