O Sonho de um Homem Ridículo, Fiódor Dostoiévski | Um pequeno grande conto!

Dostoiévski é fenomenal! Um pequeno conto, mas que não deixa nada a desejar para quem gosta deste mestre da literatura! Ele consegue nos envolver em pouco tempo, trazendo o lado filosófico da vida. Afinal, para o homem petersburguês e personagem principal, de nada mais vale a vida, nada o interessa, nada importa. Um niilista que acaba mudando de opinião e resolve enfrentar a vida depois de um sonho fantástico.

Incrível sua capacidade de descrição deste sonho, da fantasia misturada com espiritualidade, da definição de um mundo utópico cópia da Terra. Um mundo em que o pecado não existiu nem corrompeu a humanidade. Diferente do nosso, questionado na comparação de como somos e como poderíamos ser, como poderíamos enxergar os outros, a natureza e os animais.

“Eles me mostravam as suas árvores, e eu não conseguia compreender aquele grau de amor com que olhavam para elas: era como se falassem com seres que lhes eram semelhantes. E saibam que talvez eu não esteja enganado se disser que eles falavam com elas! Sim, eles descobriram a língua delas, e estou convicto de que elas os entendiam. Também olhavam assim para toda a natureza — para os animais, que viviam pacificamente com eles, não os atacavam, e sim os amavam, dominados pelo próprio amor deles. Apontavam para as estrelas e me falavam sobre coisas que eu não conseguia entender, mas tenho a convicção de que eles como que mantinham algum contato com as estrelas do céu, não só em pensamento, mas através de algum meio vivo.”

Alguns trechos são surpreendentes, como quando ele imagina como seria o seu fim após a morte: seria tudo encerrado enfim, em si mesmo? Seriam todos parte do seu próprio ser, acabando tudo junto com ele, já que nada existiria depois, mesmo que fosse somente pra ele?

“Seria até possível dizer que o mundo, agora, tinha sido como que feito só para mim: eu me mataria com um tiro e não haveria mais mundo, pelo menos para mim. Isso sem falar que, talvez, realmente não houvesse nada para ninguém depois de mim, e o mundo todo, logo que a minha consciência se extinguisse, haveria de extinguir- se imediatamente como um espectro, como um atributo somente de minha consciência, e seria abolido, pois, talvez, o mundo todo e todas essas pessoas fossem apenas eu mesmo.”

Dostoiévski me impressiona a cada leitura! E esta edição da Antofágica é ótima, maravilhosa! Os cinco textos após o conto são deliciosos de se ler também! Cada estudioso nos dando mais informações e pontos de vista sobre este pequeno de tamanho mas grandioso conto! Fora as aulas disponibilizadas em formato de vídeo para serem ouvidas antes e depois da leitura do texto! Leiam, por favor!

Publicado por o.resenheiro

Engenheiro de formação que descobriu na leitura uma paixão. Muito mais do que prazer, ler desperta a busca pelo auto conhecimento, proporciona se colocar no lugar do outro, viajar para lugares nunca antes imaginados.

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