A redoma de vidro, Sylvia Plath | Um domo que nos envolve…

Uma escrita limpa e sem rodeios. Não conhecia muito sobre a autora, mas então descobri que Sylvia Plath havia se suicidado aos trinta anos, algumas semanas após escrever este livro. Sofria de depressão, e os detalhes de seus passos antes da morte, premeditados e deixando pra trás filhos ainda pequenos, me deixaram curioso o suficiente para tentar compreender o que é sofrer deste mal. Sim, porque também descobri que este livro tem muito a ver com a história real da autora, sendo definido como semiautobiográfico.

Na pele de Esther Greenwood, a autora explora como uma jovem com uma carreira promissora, que só tirava boas notas quando estudante, mesmo em uma época muito difícil para as mulheres serem reconhecidas e bem sucedidas, mas com as chances aumentadas em uma cidade como Nova Yorque, pôde chegar ao extremo de tentar o suicídio. E não de uma, mas de diversas formas.

Sabe aquele sentimento que as vezes temos de não querer fazer nada, não querer encontrar ninguém, não socializar, se isolar, não ver propósito na vida? Bem, alguns podem até não se identificar com nada disso, outros podem se identificar muito, o fato é que isso pode ter nome e sobrenome quando muito acentuado, levando alguns, como a personagem principal desta história, a parecer normal perante os outros, até que vai parar em clínicas psiquiátricas com tratamento de choque.

É difícil para pessoas que não sofrem deste mal conseguir entender essa situação. Por isso entendi por que, mais uma vez, a leitura é tão importante. Podemos assim entra na cabeça de uma pessoa com está doença, sim, doença, mesmo que céticos ainda achem que depressão é coisa de quem não tem mais do que se lamentar.

Viver uma ficção, conhecer as amigas de Esther, os romances arranjados, as festas e almoços chiques de quando estagiava em uma revista de moda, os lugares por onde passou, de hotéis com todas as companheiras de trabalho a quartos de hospitais psiquiátricos. De situações melancólicas a pensamentos suicidas. Tudo isso podemos encontrar nesta obra de uma pessoa que não conseguiu enfrentar o desafio de apenas viver um dia depois do outro, entender que infelizmente não temos o controle de nada neste mundo. Mas tudo bem, por que se preocupar?

Enfim, leiam se por acaso se interessaram pela história, mas não se envolvam muito, por que no final, bem, no final tudo pode acontecer, diferente do que esperamos, ou exatamente como esperamos…

Publicado por o.resenheiro

Engenheiro de formação que descobriu na leitura uma paixão. Muito mais do que prazer, ler desperta a busca pelo auto conhecimento, proporciona se colocar no lugar do outro, viajar para lugares nunca antes imaginados.

Deixe um comentário