Depois de muitos pedidos, Isaac Asimov acabou se rendendo e escreveu a continuação da trilogia da Fundação. Foram mais quatro livros, sendo que os dois primeiros se passam cronologicamente após o término da trilogia, enquanto que os dois últimos se passam antes. Segue abaixo minhas impressões e um breve resumo de cada um deles. Espero que gostem!


Limites da Fundação – livro 004
As buscas no hiperespaço continuam…
Impressionante a capacidade de Asimov de reconstruir, resgatar e elaborar a continuação desta saga que se passa quinhentos anos após a era Seldon, considerando que a trilogia Fundação foi escrita em meados dos século XX e a continuação composta por mais quatro livros foi escrita mais de trinta anos depois!
O que achei interessante é que desta vez os protagonistas são os mesmos em todo o livro, diferente do que ocorria nos outros da trilogia, quando os personagens iam mudando ao longo do tempo. Nesta continuação, Golan Trevize, conselheiro da Primeira Fundação, é exilado do planeta Terminus por suas ideias subversivas a respeito da possível existência da Segunda Fundação. Junto com seu companheiro de viagem Janov Pelorat, um erudito e especialista em lendas e mitos, saem de Terminus em uma nave tecnologicamente muito avançada com o objetivo de encontrar o planeta origem, a Terra. Na verdade este seria o pretexto de Golan para a real procura da Segunda Fundação.
Durante essa busca passam pelo planeta Gaia, onde conhecem a terceira tripulante que irá acompanhá-los. Seu nome é Jubinobiarella, mais conhecida por Júbilo, uma parte integrante deste planeta organismo, onde uma consciência única interliga a tudo e todos, de vegetais e rochedos aos seres humanos. Um verdadeiro super organismo!
Em paralelo Gendibal, um dos integrantes da Segunda Fundação, discute com os outros oradores a vinda deste Golan Trevize em direção a Trantor, o que sua intuição dizia ser uma verdadeira ameaça, com potencial de ser maior do que ocorreu nós idos tempos do Mulo. Gendibal acaba se envolvendo com alguns fazendeiros de Trantor, dentre eles a bondosa Sura Novi.
Enfim, uma história cheia de viagens e saltos no hiperespaço, passando por planetas ainda desconhecidos, como Sayshell e Gaia. Um verdadeira fantasia em ritmo de opera espacial para todos aqueles que são e sempre serão aficionados por este universo temático criado por Asimov!
Fundação e Terra – livro 005
Enfim, a viagem termina!
Fundação e Terra! Finalmente, chegando ao final de uma extensa busca pelo planeta origem de todos os outros, a nossa querida Terra!
É incrível a capacidade de Asimov de fantasiar, de criar todo um universo ficcional baseado em um fato principal: o de que em toda a nossa galáxia somente uma espécie se expandiria e dominaria milhares de planetas habitáveis, e essa espécie é a dos seres humanos.
Neste livro fica evidente a eterna busca, passando por escalas em diversos planetas, de um objetivo final. Durante toda a trajetória o mesmo trio do livro anterior, Golan Trevize, Janov Pelorat e Júbilo aparecem como protagonistas da história.
E dentre os planetas visitados, alguns são velho conhecidos dos fãs de Asimov. Tanto Aurora como Solaria são planetas Siderais, ou seja, planetas terraformados no início das colonizações pelos seres humanos oriundos da Terra. São planetas descritos durante os livros da outra série famosa de Asimov, a série dos robôs. Quem leu A Caverna de Aço, O Sol Desvelado e Os Robôs da Alvorada vai se lembrar.
Por isso que tudo isso é magnífico na imaginação criativa deste tão famoso autor de livros em geral e de ficção científica. Asimov conseguiu amarrar a série da Fundação com a série dos Robôs, sendo a primeira passada após muitos milhares de anos depois do que a segunda série que se passa apenas alguns milhares de anos logo após o início da expansão dos humanos pelo espaço!
Agora faltam mais dois livros, o número 006 e o número 007, que voltarão para antes do Início de Fundação e Império, mas muito depois da época de colonização dos tempos da série dos Robôs!


Prelúdio à Fundação – Livro 006
E foi assim que tudo começou…
Isaac Asimov, o bom doutor, surpreende mais uma vez com sua originalidade neste sexto livro da série Fundação, ou primeiro, se considerarmos a ordem cronológica. Mas não importa a ordem que se leia. Cada livro parece uma peça de um quebra-cabeça, que só vai ser terminado quando todas estas peças tiverem sido montadas, em resumo, quando todos os livros tiverem sido consumidos. Talvez isso explique por quê é impossível parar de ler sua obra, afinal, quem consegue largar um quebra-cabeça pela metade?
E para quem quiser ter mais prazer ainda nesta jornada literária, recomendo que se leia antes os seus livros da série Robôs. Somente assim será possível compreender a maestria deste célebre autor, que conseguiu amarrar estas duas séries, Fundação e Robôs, de modo tão magnífico e original!
Bom, por quê estou falando tudo isso após a leitura deste livro em específico? Pois aqui é mostrado o início da série Fundação, a parte da vida de Hari Seldon quando este ainda não tinha ideia de que a apresentação de sua teoria sobre psico-história na Convenção Decenal no planeta Trantor, a capital do Império Galáctico, fosse causar tanta repercussão.
Assim começa essa história, seguida pelo encontro casual com Shetter Hummin, que o defende de ser atacado por dois cidadãos trantorianos e o acaba levando para a a Universidade de Streeling. Lá ele conhece sua companheira de aventura, Dors Venabili, uma historiadora que o ajuda a complementar o conhecimento matemático. Ambos são estrangeiros em Trantor, Seldon vem do planeta Helicon, enquanto Dors é oriunda de Cinna.
Seldon tem a oportunidade de conhecer diversos setores de Trantor, além da própria Superfície Exterior deste planeta. Trantor abriga bilhões de habitantes em seu interior. Quase ninguém vai ou conhece esta Superfície Exterior coberta por domos.
Sua descoberta da psico-história, a qual Seldon afirma em quase todo o livro que é apenas uma teoria, sendo impraticável, acaba tendo grande valor. Tanto o imperador como o prefeito de Wye almejam o poder obtido com a possível previsão do futuro proposto pela psico-história.
Tornando-se um objeto desejado, Seldon tem que se esconder em vários setores de Trantor. Após um período em Streeling, segue para Mycogen, um setor habitado por cidadãos carecas e desprovido de pêlos, uma sociedade extremamente machista e reconhecida por suas microfazendas.
Depois de Mycogen, Seldon e Dors vão para Dahl, onde conhecem uma sociedade mais bruta e pobre. Todos os homens ostentam bigodes, muitos trabalham nos poços termais, lugares muito quentes e hostil. E neste fim de mundo Hari se depara com um matemático, Amaryl. Também em Dahl eles se aventuram em Billibotton, uma favela muito perigosa, onde acabam conhecendo Raych, um adolescente de doze anos que acaba complementando o trio Hari, Dors e Raych.
Todas essa aventuras e fantasias acabam incentivando e auxiliando Hari Seldon a conceber uma forma de colocar a sua teoria da psico-história em prática. Mas ainda é só uma ideia, que provavelmente será elaborada no próximo livro da série. Segundo Hummin Shetter, protetor de Seldon, esta teoria precisaria de um plano B, sua fundação deveria ter duas alternativas…
Com um final surpreendente, Asimov consegue inserir o contexto dos robôs de maneira muito original. Não tem como negar seu merecimento pelo prêmio literário de sua obra!
Origens da Fundação – Livro 007
Um ciclo que se fecha…
Deixando de lado o fato de que este livro é o último da saga Fundação, o sétimo na ordem de escrita ou o segundo se considerarmos a ordem cronológica dos acontecimentos, etc e tal, considero que este livro é o que mais mostra como foi a vida de Hari Seldon, suas relações afetivas e amorosas, um lado mais pessoal deste personagem base da série Fundação. Um fato um tanto curioso, já que Isaac Asimov não é muito de mostrar este lado dos personagens em seus outros livros. Além disso, é interessante como tudo se encaixa, como Asimov consegue fechar o ciclo, terminar de montar este quebra-cabeça de forma tão exemplar!
Quanto ao conteúdo dos livros, achei interessante que desta vez ele separou em quatro grandes capítulos, cada um tendo o título como um dos personagens em foco, a saber: Etos Demerzel, Cleon I, Dors Venabili e Wanda Seldon. Quando terminei o primeiro capítulo, a figura em voga, Etos Demerzel, o atual primeiro-ministro, desaparece… Fiquei pensando então, será que ele vai retornar ao longo da história? Será que vai ser assim então? Cada um dos personagens vai sumindo, desaparecendo ao final de cada capítulo? Descobri depois que sim, isso acontece para cada um deles.
No primeiro capítulo é o que acontece com Etos Demerzel… Um desaparecimento súbito. Ninguém soube de seu paradeiro. E com o sumisso do atual primeiro-ministro Etos Demerzel, o lugar vago é ocupado por Hari Seldon, que permanece neste posto pelos próximos dez anos. Neste primeiro capítulo é apresentado os personagens que são resgatados do livro anterior. Seldon e Dors estão casados e adotam Raych como seu filho. Yugo Amaryl, o dahlita encontrado nos poços termais do setor Dahl, acaba se juntando a Seldon como seu principal parceiro no desenvolvimento da psico-história.
No segundo capítulo, a figura política do Imperador Cleon I prevalece, até que este acaba tendo outro tipo de desaparecimento… Muita política acontece e a oposição ao governo incomoda, com os jorunamitas aparecendo nesta fase. Gambol Deen Namarti, antigo assistente de Jo Jo Joranum, agora é o líder desse pensamento e ideologia. E assim, após uma trama elaborada para dar fim a Seldon e seu filho Raych, tudo dá errado e, se aproveitando desta situação, o bondoso jardineiro do imperador, Mandell Grubber, em um ataque de fúria e raiva, usa o desintegrador para dar um fim ao atual imperador Cleon I.
Já no terceiro capítulo, muito se mostra da esposa de Hari Seldon. Dors Venabili é conhecida como a mulher tigre, devido a sua força, rapidez e destreza com suas armas. Mais do que uma vez ela defende o marido de situações de perigo, lutando e afastando os inimigos com golpes certeiros e as vezes mortais… Até que esta também acaba desaparecendo ao final do capítulo. Sua origem é revelada, assim como Etos Demerzel, ela também é um robô. E justamente por isso acaba sendo destruída pelo Eletroclarifocador. Esta máquina inventada por um dos assistentes de Seldon, Tamwile Elar, teoricamente seria para ajudar no processo de desenvolvimento da psico-história, mas foi seus efeitos magnéticos que acabaram com Dors.
E para finalizar, surge então a neta de Hari, Wanda Seldon. Filha de Raych e Manella, Wanda tem um papel fundamental para a psico-história. Seu poder mental aparece quando ainda tinha doze anos e conseguiu vislumbrar um erro em um pedaço da fórmula do Primeiro Radiante. Este lhe foi mostrado por Yugo Amaryl, o matemático dahlita descoberto por Seldon no livro anterior e que foi trazido para sua equipe. Assim, Wanda acaba se envolvendo com a psico-história e aliada a Stetin Palver, ajudante e protetor de Seldon, começam um novo projeto, uma nova Fundação, aquela que seria a Guardiã da Primeira Fundação, a secreta Segunda Fundação. Assim, Wanda também parte ao final deste capítulo, mas com o intuito de, junto com seu parceiro Palver e um novo integrante Bor Alurin, buscar e aumentar a equipe dos mentálicos para formar esta Segunda Fundação no “fim da estrela”.
Na minha opinião, eu recomendo a leitura destes sete livros da série Fundação na ordem em que foram escritos. Acredito que desta forma o aproveitamento seja melhor, mesmo que não seja na ordem cronológica. Mas independente da ordem de leitura, Isaac Asimov merece todos os créditos que lhe foram concedidos. É mesmo um Maestro, um mestre da literatura de ficção científica e fantasia, mexendo com a nossa imaginação a cada instante de leitura!
