
Bibiana e Belonisia, duas irmãs nascidas em uma fazenda no interior da Bahia, onde as famílias ocupam um pequeno pedaço de terra em troca de trabalho de domingo a domingo, vivendo sob suas casas de barro pois não se permite construções de alvenaria.
Durante a história vamos vivenciando um pouco da cultura africana, de como é a vida destas irmãs e suas famílias, tão pobres e tão sofridas, mas que ainda arranjam tempo para os encontros e brincadeiras de jarê, quando os “encantados” se manifestam, performando em danças na pele dos vivos ao som dos atabaques.
A descrição dos trabalhos na lavoura, da paisagem tão peculiar, dos nomes de árvores e de pássaros, de peixes e de animais, dos nomes de Santos e dos encantados, das pessoas e dos lugares, daquilo que aparece na cheia e some na seca, tudo isso pode ser saboreado junto com uma narrativa cheia de idas e vindas dessas famílias da fazenda Água Negra.
São verdadeiros heróis da subsistência, tirando da terra tudo que podem e sabem, pescando quando tem água, trabalhando como escravos por não terem alternativa de vida. Os poucos que conseguem sair deste mundo muitas vezes acabam voltando em busca de seus parentes, subindo mais uma tapera com seus vários filhos.
Fora todo este cenário, o enredo é muito bom, tudo muito real e factível de se ter acontecido, com as tragédias e sofrimentos muito bem descritos, dramas familiares, desavenças com os donos da fazenda, peregrinações, nascimentos e mortes.
Para quem estiver procurando uma leitura brasileira e contemporânea, este livro é uma ótima opção!
