
Não tem como não ficar ansioso pela história que viria de um livro tão lido e tão famoso como 1984. A dúvida e incerteza surgiu no início da leitura, será que ia mesmo gostar?
Tudo começa como mais uma utopia negativa, ou uma distopia, um lugar de desgraça, onde o personagem principal, Winston Smith, tem uma vida solitária em um mundo em que se enfatiza pelo coletivo.
Trabalhando como membro do partido, a classe intermediária de uma sociedade, abaixo dos membros do Núcleo do Partido, mas acima dos proletas, Winston segue sua rotina de alterar e destruir informações de documentos, jornais etc. que não sejam mais a realidade do momento. Tudo isso sendo feito no Ministério da Verdade, ou miniver em Novafala.
Além deste Ministério, mais quatro outros existem em Oceania: o ministério do Amor, o Ministério da Pujança e, por fim, o Ministério da Paz.
O mundo segue dividido em três grandes potências: Oceania, Eurásia e Lestásia, sendo que sempre uma está aliada à outra e em constante guerra com a terceira. Smith vive em Londres, pertencente à Oceania, onde todos são vigiados em tempo integral por teletelas espalhadas em todos os lugares, sob o domínio do Grande Irmão.
Existe um inimigo, sob a figura de Emmanuel Goldstein, e também uma suposta rede não confirmada de inimigos, a Confraria. Um ódio é instigado ao povo para serem contra eles através de sessões como os Dois Minutos de Ódio.
Outros dois personagens principais aparecem na história. Julia, com a qual Winston tem um romance, e O’Brien, figura importante do Núcleo do Partido, sob a qual Winston acaba se identificando por alguma razão não esclarecida.
Fora isso, Orwell inventa um mundo fictício cheio de ideias como a Novafala, uma nova forma de escrita e linguagem (tem até um apêndice somente sobre este assunto), onde o duplipensamento, sob o qual se é possível acreditar em duas formas contraditórias ao mesmo tempo, o pensacrime, tudo aquilo cujo pensamento vai de desencontro ao que se considera correto, e por aí vai.
Quando Winston começa a leitura do “livro”, explicando em detalhes alguns dos lemas do Partido (guerra é paz, ignorância é força e escravidão é liberdade), dá para se ter uma noção de como o autor vai longe em suas ideias e suposições deste mundo, um alerta sobre o que se poderia acontecer com a sociedade.
Tudo faz sentido se pensarmos que isso foi escrito em 1948, e Orwell como tantos outros vivam ainda sobre a presença do fim da Segunda Guerra. Ele mostra um ambiente pessimista, onde o personagem é torturado, seus pensamentos controlados, forçado a acreditar no Partido e amar o Grande Irmão.
O livro é muito envolvente, dá pra sentir o sofrimento do narrador, viver suas tensões e tentativas frustradas de acreditar num futuro melhor. O autor escreve com clareza e fui pego de forma arrebatadora com essa ficção distópica tão aclamada e citada ente o mundo da literatura!
Esta edição ainda conta com três posfácios muito esclarecedores, escritos em anos subsequentes (1961, 1989 e 2003), mostrando que este clássico atravessa décadas mantendo seu posto de leitura obrigatória para todos!

Um comentário em “1984, por George Orwell | uma distopia marcante passada em 1948…”