
A escrita de Valter Hugo Mãe é muito peculiar. De certa forma requer uma atenção extra para não se perder nas palavras e seguir no enredo da história. É sempre assim, e nesse livro, “A Desumanização”, não podia ser diferente.
O cenário não poderia deixar de ser mais instigante, já que se passa em meio a gelo, neve, fiordes e montanhas da Islândia, um país inóspito tão pouco conhecido e longe do trivial.
As gêmeas nascidas neste cenário, Halla e Sigridur, são separadas pela vida e a morte. Uma fica enquanto a outra é plantada e parte para o outro lado. As vezes um espelho erguido pela menos morta reflete a irmã mais morta do lado de lá.
A que fica segue a vida aos seus doze, treze anos, precoce no amor e na maternidade, enamorada por seu par Einar, e ambos são então motivo de escândalo na pequena população da cidade.
Saindo da casa dos pais, Halla vai morar com Einar e ajudar nas atividades da igreja, junto a Steindor, que faz o papel de pároco da vila.
O livro é uma prosa poética, e em alguns momentos me deixei ler em disparada, como que levado na correnteza das palavras do autor, quase como na velocidade do que era jogado dentro da boca do céu, descrito na história como um túnel infinito que se mirado bem ao centro nunca se chegaria ao fim…
Mas no caso do livro, ah, esse uma hora acaba. E deixa uma sensação boa, como toda vez que acabava a leitura de mais um capítulo! Valter Hugo Mãe merece ser lido e relido, pois a cada leitura enxergamos uma nova perspectiva e detalhes perdidos nas suas palavras!
