

O ano é 1943, o lugar, a ilha de Jeju ao sul da Coreia do Sul. A história, duas irmãs que são separadas quando crianças.
Uma narrativa dramática e envolvente, que retrata uma realidade ocorrida durante a Segunda Guerra Mundial, quando a Coreia se encontrava sob o domínio do Japão. Os costumes, músicas, literatura coreana eram reprimidos, mas as haenyeo (termo coreano que designa as mulheres mergulhadoras da ilha sul-coreana de Jeju) persistiam em sua antiga atividade, colhendo os frutos do mar e sendo as valentes provedoras de suas famílias.
Duas irmãs são separadas quando crianças, onde o destino da mais velha foi terrivelmente alterado de curso após ser capturada na praia por um oficial japonês, o cabo Morimoto. Este passou a ser o pesadelo de Hana, que conta sua história desde este momento até sua chegada na aldeia de moradores na Mongólia.
Se gostou da temática e pretende ler, melhor parar por aqui para não ter mais spoilers…
Após sua captura, Hana é levada em viagem sem saber o seu futuro. Fica então meses aprisionada em um bordel, sendo obrigada a oferecer seus serviços da forma mais cruel possível. Lá, ela convive com outras mulheres de consolo, ou mulheres de alívio, termo utilizado para designar as mulheres forçadas à prostituição e escravidão sexual em bordéis militares japoneses durante a Segunda Guerra. Cada uma destas mulheres tem seu próprio quarto, verdadeiros cativeiros nomeados com nomes de flores. Hana passa então a ser chamada pelo nome de seu quarto: Sakura (tradução para flor de cerejeira).
Quando finalmente o cabo Morimoto resolve continuar a viagem e levar Hana consigo, ela tenta fugir, em vão. Em seu cavalo preto, Morimoto a persegue e a captura novamente, carregando-a consigo por muitos dias de cavalgada, chegando depois de muitos dias em uma aldeia de mongóis, aparentemente conhecidos do oficial japonês.
Inesperadamente, Morimoto parte em uma manhã, deixando-a com eles em sua aldeia, e uma esperança surge em Hana. Será que por fim o asqueroso e repressor cabo Morimoto resolveu por fim esquecê-la? Teria ele a vendido ou trocado por algo? Sem entender a língua, ela passa a conviver com estes aldeões, dorme em sua aconchegante Ger (tenda ou cabana circular usada tradicionalmente pelos pastores nômades mongóis e de outros povos da Ásia Central), esperando pelo que será do seu destino.
A história é intercalada com a narração e lembranças de uma outra mulher, mais velha e vivendo em tempos atuais, que aos poucos vai nos desvendando seu passado e o que a levou visitar seus filhos na capital Seul. Vamos então entendendo a relação desta senhora com a menina outrora sequestrada, separadas pelo tempo e pela sorte.
Um livro perfeito para se transformar em um belo e maravilhoso filme, com uma história triste e dramática mas com lindas paisagens…
